quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Como contava Clarice...
"Faz de conta que ela nao estava chorando por dentro -pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado...". Assim acordara ela esta manhã...Assim, assim, sem muito ânimo, com medo de tudo. Eu disse a ela que tudo isso era passageiro, que o tempo fluía...Mas que tudo passava. Ela me olhou como se não acreditasse naquilo que eu falava. Parecia mais que eu encarnava o velho amigo otimista afim de não deixar o outro ainda pior. Ela insistia em chorar e dizer que estava tudo perdido...Que tudo tinha sido em vão. Seus esforços para tentar melhorar a situação, suas tentativas em criar momentos felizes. Eu ainda continuei otimista mas, tamanha a crise vivida por ela, eu acabava sendo influenciado pelo drama. Eu mais do que nunca queria ajudar e já não sabia mais como. Ela disse que eu não precisava ficar. Disse que eu podia ir, que ela estava bem e que ficaria bem sozinha, precisava pensar na vida. Naquele momento percebi que o melhor era partir. Saí daquela sala escura de cabeça baixa e ainda numa última tentativa, perguntei se ela não precisava de mais nada. Ela, sem ânimo nenhum, só me respondeu com um balançar de cabeça. Fechei a porta com cautela, sem dizer mais nada. No dia seguinte, a encontrei pelos corredores da faculdade. Estava diferente! Parecia outra pessoa. Os olhos ainda inchados, eram disfarçados por algumas gramas de maquiagem. O batom, que antes claro, agora era vermelho vivo. As roupas decotadas, a calça justa. Não havia quem não a fitasse. Mas diante de todo aquele acontecimento, algo ali estava claro: "embora de olhos secos, seu coração ainda estava molhado".
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